
Estranho e duro amor é o nosso amor, amante-amiga,
que não se farta de partir-se e não se cansa de querer-se.
Amor todo feito de distâncias necessárias que te trazem
e de partidas sucessivas que me levam.
Que espécie de amor é esse amor
que nos doamos sem pensar e sem querer
com tanto amor e tão profundo magoar?
Estranho e duro amor que não se basta
e de outros amores se socorre e se compensa
e neste alheio compensar-se nunca se alimenta,
mas se avilta e se desgasta.
Estranho amor, ferino amor, instável amor feito sem muita paz,
com certo desengano e um desconsolo prolongado.
Feito de promessas sem futuro e de um presente de saudades.
Chorar tão dúbio amor quem há-de?
Estranho amor e duro amor, incerto amor,
que não te deu o instante que esperavas
e a mim me sobejou do que faltava.


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