
Tanto mais eu te contemplo tanto mais eu me absorvo e me extasio.
Como te explicar o que em teu corpo eu sinto, o que em teus olhos vejo,
quando nua nos meus braços no meus olhos nua,
de novo eu te procuro e no teu corpo vou-me achar?
Como te explicar se em teu corpo eu me eternizo
e de onde e como sendo eu pequeno e frágil pelo amor me dualizo?
Tanto mais eu te possuo tanto mais te tornas bela,
tanto mais me torno eu puro.
E à força de tanto contemplar-te e de querer-te tanto,
já pressinto que em mim mesmo eu não me tenho,
mas de meu ser, ora vazio,
pouco a pouco fui mudando para o teu ser de graça cheio.


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